O gaúcho chega em casa, entra no quarto, e dá de cara com a cena clássica. Saca o revólver, estica o braço, e fala pro outro:
– Prepare-se para morrer, desgraçado!
O cara se envolve todo, tremendo feito vara verde.
Mas a mulher se adianta, baixa o braço do marido, e grita pra ele:
– Barbaridade, homem, o que é isso? Presta atenção numa coisa: sou eu, com dinheiro que esse aí me dá (aponta para o amante) que pago o apartamento, o armazém, a farmácia, o médico, o seu jogo da loteria esportiva, o seu jornal, a sua cerveja. Sou eu que pago tudo! Sou eu que te sustento, seu porcaria! E vai me dizer agora que eu não mereço uma recompensa por isso? Abaixe esta arma, seu boboca, porque no fundo, no fundo, o homem desta casa sou eu!
O marido abaixa a arma, dá um suspiro fundo, passa a mão pela testa, e diz lá pro outro:
– Bah, thê, te cobre, senão vais acabar pegando um resfriado.











