Caipiras

Vergonha do Arcide

O caipira chega pro Carlos Eduardo e fala:
– Carzeduardo, sua muié tá te traino co Arcide.

– Magina! Ela num trai eu, não. Cê tá inganado, sô!

– Carzeduardo! Toda veiz que ocê sai pra trabaiá, o Arcide vai pra sua casa e prega ferro nela.

– Duvido! Ele num teria corage.

– Mais teve! Pode cunfiri.

Indignado com o que o amigo diz, o Carlos Eduardo finge que sai de casa, se esconde dentro do guarda-roupa e fica olhando pela fresta da porta. Logo, vê sua mulher levando o Alcides para o quarto pra começar a sacanagem.

Mais tarde, ele se encontra com o amigo, que lhe pergunta o que houve. O Carlos Eduardo relata, cabisbaixo:

– Foi terrive di vê… Ele jogou ela na cama, tirou a brusa… E os peito caiu… Tirou a carcinha… E a barriga e a bunda dispencaro… Tirou as meia… E apariceu aquelas varizaiada toda, as perna tudo cabiluda. E eu, dendo guarda-roupa, cas mão no rosto, pensava: “Ai, qui vergonha que eu tô do Arcide!”.

Intimação da Receita Federar

Carzeduardo comenta com sua esposa, a Bastiana:

– Muié, ricibi uma intimação da Receita Federar. Caí na maia fina! Ocê acha que devo cumparecê à odiência com o fiscar de bota e carça de sirviço, pra parecê mais simpre, o di rôpa de saí, pra passá uma imagi de seriedade?

– Home, vô dizê a mema coisa que minha mãe mi falô quando preguntei prela si divia di usá carcinha di renda ô di seda, na noite di núpcia.

– E quié qui foi qui sua mãe falô? –

Ela falô:

– “Tanto faiz! Ele vai fudê ocê de quarqué jeito!”

O Médico Batedor

Dois caipiras assistem a um parto pela primeira vez; ao ver o médico dar um tapa no bebê, um se indigna:

– Ué, cumpadi, por que o dotô bateu na criança?

– Merecia! Ocê num viu onde o menino se enfiou?

A última vontade

No leito de morte, seu Joaquim chamou os filhos:
– “Deixo pra vocês… 50 anos de dívida no armazém!”

O mais velho protestou:
– “Pai, isso não é herança!”

Ele sorriu:
– “É sim… Herança de sabedoria: nunca mais comprem fiado!”

Rinha de galo

Josenildo numa rinha pergunta ao caipira:
– “Qual galo bom, o branco ou o preto?”

O caipira responde:
– “O bão é o branco!”

Josenildo apostou no branco, perdeu feio. Revoltado, cobra explicação:
– “O bom não era o branco? Você me enganou!”

Caipira:
– “Eu falei certo, o branco é o bão; o marvado é o preto!”

Passage para o Esbui

– Quero uma passage para o Esbui.

– Não entendi. O senhor pode repetir?

– Quero uma passage para o Esbui.

– Sinto muito, senhor, não temos passagem para o Esbui.

Aborrecido, o caipira se afasta do guichê, se aproxima do amigo que o aguardava e lamenta:

– Olha, Esbui, o home falô qui pra ocê num tem passage não.

Lição de agricultura

Pesquisadora do IBGE:
– “Essa terra dá mandioca?”

– “Não, sinhora”, respondeu o pequeno agricultor.

– Dá batata?

– Também não!

Pesquisadora pergunta novamente:
– Então não adianta plantar nada?

– Se plantar, aí dá……

“Sem paciência”

O pescador diz pro caipira mineirinho:
– Você está aí já há quatro horas me vendo pescar. Não quer tentar?

– Num tenho paciência pra isso não, seu moço!

Recompensa Fatal

Matuto salva uma moça que se afogava. Agradecida, ela diz:
– “Peça o que quiser!”

– “Quero que ocê me mate.”

– “Como assim?”

– “Com aquele negocinho…”

400 cavalos

Estava um mineiro a andar com o seu burrinho por uma das muitas estradas de Belo Horizonte. Num dado momento, para do seu lado uma Ferrari, daquelas que você só vê em filme!

Dentro dela, um paulista cheio de confiança bate no capô do carro e diz:
– Aê, meu! Aqui dentro têm 400 cavalos, tá ligado?

E arranca com o carrão, cantando os pneus e deixando uma nuvem de poeira para o mineiro.

Um pouco à frente, o paulista se distrai e numa curva embica a sua Ferrari num ribeirão.

Um pouco depois, o mineirinho chega ao local e vendo o carro com a frente dentro da água, pergunta:
– Tá dando de beber para tropa, moço?

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