Gaúchos

Saudades do Rio Grande

O gaúcho chegou na Bahia e procurou logo uma vendedora de acarajé. Pediu um, cheio de marra, e a baiana quis saber:
– Tu quer quente ou frio? – perguntou.

Sem saber o que era “quente ou frio”, o machão dos pampas mandou ver:
– Claro que é quente, tchê! Em minha terra se toma chimarrão fervendo …

A baiana tascou pimenta no acarajé do gaucho e deu pra ele comer. Depois do primeiro mordidão, começou a escorrer lágrimas dos olhos do malandro. E a baiana, se mijando de rir:
– Oxente, gaúcho, por que você tá chorando!

E ele, sem perder a pose:
– Nada não, chica. É saudade do meu Rio Grande!

Pimba!

Uma linda gauchinha, depois de se casar, foi morar noutra cidade.

Alguns dias depois a mãe dela recebeu uma carta:
– “Querida mamãe. Estou adorando a vida de casada. O Sandrinho é um marido maravilhoso, cheio de atenções e muito carinhoso. Só acho, mamãe, que o Sandrinho é um pouco exagerado, sabe. Ardente demais. Imagina a senhora que ele não me dá sossego, mamãe. Eu posso estar na cozinha, quietinha, fazendo um bife, ele chega e me agarra ali, na hora. Eu não tenho tempo nem de reagir. Eu estou vendo televisão, por exemplo, ele chega por trás e pimba. É o tempo todo assim, pimba, pimba, só a senhora vendo. Não me dá sossego, é a toda hora, o dia todo, sem parar. Ele é malucão, mamãe. Mas, eu estou muito feliz. Beijinhos. Margarida.”

E logo abaixo vinha o PS:
– “Mamãe, desculpe a letra tremida.”

Futebol no Sul

No intervalo de um jogo no Beira-Rio, um torcedor se vira para o amigo e diz:
— Tchê, quando chegar em casa, vou arrancar a calcinha da minha guria!

O outro…
— Mas Báh, por que essa violência toda?

E o cara:
— Está me apertando muito…

Gaúcho sem cabelo branco

Dois gaúchos conversando na barbearia:
— Trilegal, tchê, qual é o segredo pra chegar nesta idade assim, sem um fio de cabelo branco?

— Pinto de preto.

— Mas bah, me passa já o telefone desse negão!

Gaúcho boa gente

Um sujeito atropela um argentino vai para a delegacia se entregar e o delegado é um gauchão, que odeia argentinos e diz:
– Buenas tchê, argentinos passam a toda hora na estrada se não fosse o senhor seria outro.

– Mas ele estava no acostamento.

– Mas ia atravessar.

– Pior que enterrei ali na beira da estrada mesmo.

– O Sr é um humanista, qualquer outro ia deixar pros urubus e hienas comer.

– Pior que quando eu estava enterrando ele gritava: “estoy vivo, estoy vivo”.

– Esquece isso tchê, estes argentinos são muito mentirosos.

Cardápio

Gauchão estava tendo um caso com a secretária. Após um tempo, ela lhe disse que estava grávida. Não querendo que sua mulher soubesse, ele deu-lhe dinheiro e mandou que ela fosse para a Itália e tivesse o bebê por lá.

– Bah, tchê, como vou avisar você quando o nosso guri nascer? – ela perguntou.

– Ora, essa! Apenas mande um postal e escreva ‘’espaguete’’ – disse o gauchão, grosso que só papel de embrulhar prego.

– E pode deixar que vou cuidar de todas as despesas com o piá!

Sem alternativa, ela pegou o dinheiro e voou para a Itália.

Alguns meses se passaram e uma noite, quando o 14 gaúcho chegou em casa, a mulher disse:
– Querido, você recebeu um cartão-postal da Europa pelo correio hoje, e eu não consigo entender o significado da mensagem.

Ele leu o cartão, caiu no chão, com um violento ataque cardíaco, e foi levado à emergência do hospital.

O chefe do plantão perguntou à gaúcha:
– Aconteceu algo que possa ter causado o ataque cardíaco ?

– Ele apenas leu este cartão-postal onde está escrito: Espaguete, espaguete, espaguete, espaguete e espaguete. Três com linguiça de churrasco, e dois sem!

Boca a boca

Um gaúcho chega perto de um rio e vê um conterrâneo transando com outro. Resolve interpelar os namorados:
– Bah, tchê, o que vocês dois estão fazendo?

– Não vê, tchê? Ele estava se afogando, eu o estou salvando.

– Barbaridade! Quando alguém está se afogando, a gente faz é respiração boca-a-boca.

– Mas bah, tchê, e como você acha que começou tudo isso?

Caindo na real

O gaúcho chega em casa, entra no quarto, e dá de cara com a cena clássica. Saca o revólver, estica o braço, e fala pro outro:
– Prepare-se para morrer, desgraçado!

O cara se envolve todo, tremendo feito vara verde.

Mas a mulher se adianta, baixa o braço do marido, e grita pra ele:
– Barbaridade, homem, o que é isso? Presta atenção numa coisa: sou eu, com dinheiro que esse aí me dá (aponta para o amante) que pago o apartamento, o armazém, a farmácia, o médico, o seu jogo da loteria esportiva, o seu jornal, a sua cerveja. Sou eu que pago tudo! Sou eu que te sustento, seu porcaria! E vai me dizer agora que eu não mereço uma recompensa por isso? Abaixe esta arma, seu boboca, porque no fundo, no fundo, o homem desta casa sou eu!

O marido abaixa a arma, dá um suspiro fundo, passa a mão pela testa, e diz lá pro outro:
– Bah, thê, te cobre, senão vais acabar pegando um resfriado.

Gracinha

Gauchinho, muito jeitoso, vai ao médico:
– Tô com dodói, tchê! – diz ele, com voz fininha.

– Onde? Na cabeça?

– Nao, doutor! É mais para baixo!

– O pescoco?

– Nao, doutor! Mais para baixo!

– O estômago?

– Nao, doutor … mais para baixo!
– Já, sei! É o passarinho!

– Bah, doutor! É na gaiolinha …

Sem chance

– Mamãe! – gritou aquela vozinha, com forte sotaque gaúcho, lá dentro do banheiro.

– Eu já tenho quatorze anos. Já posso usar sutiã?

E a pobre mãe, conformada:
– Não, já disse que não. E não insista, José Roberto!

Gostou? Compartilhe!